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Afinal, sucuris comem gente? Especialista comenta cena de Pantanal

Em reta final, novela exibiu a morte de Tenório, que foi engolido por sucuri. Cena, porém, tem pouquíssimas chances de acontecer na realidade

Michael Esquer·
5 de outubro de 2022·1 anos atrás

Um dos momentos mais aguardados da novela Pantanal foi ao ar nesta terça-feira (4), na TV Globo. Era a vingança de Alcides, interpretado por Juliano Cazarré, contra Tenório, personagem interpretado por Murilo Benício. Na cena, o fazendeiro, e também grileiro, é atingido pelo ex-peão com uma zagaia – lança de madeira, curta e delgada, bastante conhecida na região pantaneira. O desfecho não termina aí. Foi uma sucuri-verde (Eunectes murinus), animal incorporado pela entidade de Velho do Rio, que dá fim à Tenório, após puxá-lo para dentro d’água.

Diferentemente da primeira versão da novela, onde Tenório é jogado no rio para ser devorado por piranhas, no remake é a sucuri-verde, famosa cobra da novela, que coloca um ponto final na história do antagonista. 

Mas afinal, sucuris comem gente? Para responder essa pergunta, betano conversou com a bióloga e médica veterinária Paula Helena Santa Rita, coordenadora do biotério da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), que integra o Grupo de Resgate Técnico Animal do Pantanal do Mato Grosso do Sul (Gretap/MS). 

Apesar da magia da ficção, ela diz que a cena da novela tem pouquíssimas chances de acontecer na realidade. “Ela vê o ser humano como um potencial predador e não uma presa”, explica a médica veterinária. A possibilidade de eventual ataque até pode ocorrer, mas em contexto de afugentamento – situação quando o animal se sente ameaçado –, e não de alimentação. “A gente sabe de acidentes envolvendo seres humanos, mas a chance é muito baixa”, esclarece Santa Rita. 

Estigma 

A falta desse conhecimento traz outra consequência: “Infelizmente esses animais são muito estigmatizados”, comenta Santa Rita. Mas no Pantanal, os pantaneiros coexistem com o animal. “O pantaneiro não mata esses animais. Geralmente são pessoas que não são da região, ou que estão pela região [que matam]”, enfatiza. 

Alimentação 

Sucuri-amarela. Foto: Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sustentable da provincia de Corrientes

“Sucuris possuem o hábito generalista de alimentação. É um animal que é oportunista. Dependendo do tamanho do animal, ela pode ingerir desde pequenos roedores ou peixes, até animais de maior porte”, diz a bióloga. Uma sucuri de grande porte, comenta ela, por exemplo, consegue se alimentar tranquilamente de um suíno selvagem. 

Por terem hábitos alimentares diversificados, há até mesmo casos de necrofagia. “Existem relatos de sucuris que comeram carcaça já”, relata. No Pantanal, em específico, as sucuris preferem peixes, podendo também se alimentar de mamíferos, aves e répteis. “Dentro dos répteis, os jacarés”, acrescenta. 

Forma de predar 

Na novela, sucuri se enrolou no corpo de Tenório e depois o arrastou para o rio. Foto: Reprodução/Globo

Quanto à forma de predação, as sucuris utilizam-se geralmente da constrição. “O animal dá o bote, ancora a presa, faz a rodilha e inicia um processo de constrição”, explica Paula, ao também desmistificar que sucuris quebram os ossos de suas presas. “O quebrar ossos é uma consequência. Na verdade, ela vai fazendo uma constrição. Enquanto ela sente movimentação respiratória e batimento ela continua apertando”.

Ainda em contexto de Pantanal, é comum que sucuris também submerjam suas presas. O método consiste na morte por afogamento. “Ela acaba submergindo, enrodilhando a presa, e acaba que a presa também, principalmente se for mamífero, acaba morrendo afogada”, comenta a bióloga. O processo de ingestão, por sua vez, se dá logo em seguida.

As sucuris 

As sucuris pertencem ao gênero Eunectes e fazem parte da família Boidae. O nome popular designa não apenas uma única espécie, mas quatro que habitam a América do Sul. A sucuri-verde (Eunectes murinus) que aparece na novela, é a maior delas, e geralmente é encontrada na Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica. 

No Brasil, porém, ainda vivem outras duas espécies, sendo elas: a sucuri-malhada (Eunectes deschauenseii), encontrada em regiões do Pará e do Amapá; e a sucuri-amarela ou sucuri-do-pantanal (Eunectes notaeus), encontrada principalmente no Pantanal, mas também em áreas do Cerrado, Mata Atlântica e Pampa.

  • Michael Esquer

    Jornalista pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com passagem pela Universidade Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, tem interesse na temática socioambiental e direitos humanos

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Comentários6

  1. Thindiz:

    Matéria muito ingênua. Sucuris atacam e devoram seres humanos sim. Basta um pouco de pesquisa na rede e apareceram os relatos…


  2. HELIO B ANUNCIACAOdiz:

    Não come não,só ingoli a pessoa inteira ,se ela ingoli um animal inteiro não vai ingolir uma pessoa


  3. HELIO BISPO DA ANUNCIACAOdiz:

    Come ,só ingoli inteiro ,se come um boi não vai ingolir uma pessoa


  4. Tião Ferreiradiz:

    Infelizmente, é uma prática comum cientistas e autoridades MENTIREM ou OMITIREM sobre assuntos como esse. No caso em tela, a cientista convidada omite fatos sobre a sucuri e seus hábitos. A sucuri só evita o contato quando está de BUCHINHO CHEIO, ou se houver mais de um individuo no ambiente em questão. Esses répteis devoram capivaras com mais de 80kg e jacarés com mais de 2m de comprimento, por que diabos não engoliriam um reles humano que quase sempre mal chega a 1,80m de altura e muitas vezes nem chega a esse peso. Lutas tiânicas de jacarés vs sucuris, onças vs sucuris e toda sorte de confrontos no reino animal já foram amplamente documentadas e estão todas disponíveis. Reses de 200kg vão pro bucho da serpente num estalar de dedos. Todo ribeirinho sabe disso. O negócio é negar, para evitar causar pânico na população


  5. NORBERTO DINIZ DE ALMEIDAdiz:

    Em 1983 um dentista mineiro fui engolindo por uma sucuri aí no pantanal, apareceu em vários jornais a foto da cobra 🐍


  6. Carolina Franco Estevesdiz:

    Parabéns pelo tema abordado! O texto traz uma ótima reflexão sobre plantas exóticas em áreas urbanas e rurais pelo Brasil. Temos tantos outro exemplos, como a murta, espécie comum nas cidades, mas que já trouxe danos para a citricultura por atrair insetos vetores (pslideos) do greening, ou pinheiros na serra do mar, litoral de São Paulo, espalhadas aos montes, já se confundindo com a Mata Atlântica. A informação traz outros olhares para o assunto.