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Carta na Nature pede priorização do Cerrado em discussões diplomáticas internacionais

Nova lei da União Europeia deixa bioma como “zona de sacrifício” para desenvolvimento agrícola, aponta publicação assinada por cientistas do INPE

Michael Esquer·
21 de julho de 2023
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A nova lei da União Europeia (UE) que trata da importação de produtos livres de desmatamento deixa o Cerrado como uma “zona de sacrifício” para o desenvolvimento agrícola. Isto é o que afirma publicação na editora científica Springer Nature, na qual cientistas pedem a priorização do bioma em discussões diplomáticas internacionais. 

Publicado no formato de carta na revista Nature Sustainability, o documento discute a situação atual do bioma e propõe mecanismos para reverter o seu cenário de devastação. 

“O Cerrado está atualmente excluído dos principais esforços de sustentabilidade do agronegócio – notavelmente, a Moratória da Soja, um bem-sucedido acordo de desmatamento zero de várias partes interessadas que se aplica apenas ao bioma amazônico. Além disso, novas propostas legais devem piorar essa situação”, diz a carta, assinada por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Universidade Griffith, na Austrália, e da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. 

O documento defende que, nacionalmente, reverter o desmatamento no Cerrado – e consequentemente manter seus serviços ecossistêmicos — requer a ressurreição de estratégias tradicionais de conservação, como regulamentação mais rigorosa; aplicação da lei para limpeza de vegetação em propriedades privadas; e investimentos na expansão e melhor monitoramento de áreas protegidas e terras indígenas. “Este momento requer uma discussão diplomática baseada na natureza direcionada a reverter a negligência do Cerrado para evitar crises ambientais e socioeconômicas com repercussões internacionais”. 

Os pesquisadores ainda afirmam que a lei de “due diligence” (investigação prévia para garantir ausência de irregularidades) da UE adota uma definição florestal rigorosa que deixa 74% do Cerrado desprotegido. “Internacionalmente, a legislação de ‘due diligence’ deve ser estendida com urgência para abranger savanas e outros biomas não florestais”, completam os cientistas.

  • Michael Esquer

    Jornalista pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com passagem pela Universidade Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, tem interesse na temática socioambiental e direitos humanos

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Comentários1

  1. Marilia Hagendiz:

    Por favor, explicitar os ‘cientistas; autores da carta