Salada Verde

Desmatamento: Pantanal perdeu quase uma cidade do Rio de Janeiro nos últimos quatro anos

De 2019 a 2022, bioma teve mais de 100 mil hectares desmatados, revela levantamento do MapBiomas. Mato Grosso do Sul responde por quase totalidade da área desmatada

Michael Esquer·
19 de junho de 2023
Salada Verde
Sua porção fresquinha de informações sobre o meio ambiente

O Pantanal atingiu a maior taxa de desmatamento do quadriênio no ano passado. Em todo o período (2019-2022), foram 101 mil hectares desmatados, o que equivale a quase o tamanho da cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os dados são do Relatório Anual do Desmatamento (Rad), publicado na última semana pelo MapBiomas.  

Com 266 alertas de desmatamento validados, foram 31,2 mil os hectares devastados no bioma em 2022, área maior do que a capital da Noruega, Oslo. O número é 4,4% maior do que o registrado em 2021 (29,8 mil hectares), e o maior desde 2019 (13,9 mil hectares), quando o Rad começou a ser publicado.

Segundo o levantamento, o tamanho médio da área desmatada em cada um dos alertas de desmatamento no bioma foi de 117,3 hectares, o maior índice entre todos os biomas. Em segundo lugar neste ranking aparece o Cerrado, com 104,8 hectares desmatados, em média, por alerta. 

Com 2,8 mil hectares, o maior desmate detectado naquele ano foi registrado em Corumbá (MS). Diferente em cada um dos biomas brasileiros, o pico do desmatamento no Pantanal aconteceu no início na primeira quinzena de junho de 2022, quando 113 hectares foram desmatados. 

Conforme consulta de betano a plataforma MapBiomas Alertas, o estado de Mato Grosso do Sul responde por quase a totalidade do desmatamento no bioma. No ano passado, mais de 80% da área desmatada no Pantanal esteve concentrada no estado. Na análise ampliada, entre 2019 e 2022, o índice sobe para 90,1%.

Para o SOS Pantanal, os números refletem a permissibilidade da legislação de Mato Grosso do Sul, sobretudo por conta do Decreto 14.273/2015, conhecido como Decreto do Pantanal, que regulamenta a supressão de vegetação nativa no bioma. “É um decreto sem embasamento técnico e super permissivo para o desmatamento”, disse à reportagem o biólogo Gustavo Figueirôa, que é diretor de Comunicação e Engajamento do instituto. 

Também contribui para o cenário a ausência de legislação federal específica para a proteção do bioma. “Faz-se urgente a promulgação da Lei Federal, conforme previsto pela Constituição Federal, que contemple todo o bioma e sua diversidade de hábitats, com base em evidências científicas e participação dos diversos setores da sociedade impactados”, declarou à mídia local do estado o diretor executivo da organização, Leonardo Gomes. 

  • Michael Esquer

    Jornalista pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com passagem pela Universidade Distrital Francisco José de Caldas, na Colômbia, tem interesse na temática socioambiental e direitos humanos

Leia também

Ladeada por fazenda, trens e porto de minério de ferro, a comunidade centenária de Porto Esperança é acossada para tomada de suas terras. Foto: Aldem Bourscheit/O Eco
Reportagens
19 de junho de 2023

Pressão por terras, portos e estrada sufocam comunidade no Pantanal

Implantação de hidrovia exportadora disseminará ameaças similares e desmatamento ao longo da Bacia do rio ParaguaiAldem Bourscheit - de Corumbá/MS e Puerto Suárez (Bolívia),Michael Esquer - de Cáceres/MT

Reportagens
12 de maio de 2023

Mudanças climáticas ameaçam os peixes da bacia do Alto Paraguai

Estudo estima que processo pode reduzir o habitat de cerca de 70% das espécies que atualmente ocorrem na bacia que hospeda o Pantanal – e consequentemente provocar extinções locais

Reportagens
26 de outubro de 2022

No Pantanal, ribeirinhos resistem à erosão do rio Cuiabá

Enquanto se recuperam das queimadas de 2020, comunidades locais lutam pela permanência em suas terras, erodidas pela força de um dos principais rios formadores do bioma

Mais de betano

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.